domingo, 5 de outubro de 2014

Adelia

A flor morreu
De quem é a culpa?
Dela, Com certeza!
Quem a mandou nascer?

És bruta Adelia [...]
Bruta é a vida
Que nos mata a cada segundo.

Sem titulo

Dentre grandes
Serei pequeno
Dentre fortes
Serei fraco
Dentre corajosos
Serei medroso
Dentre mortos
Estarei vivo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eu vou sobreviver

Foi tanto que eu levei na cara
Pra aprender
Que nem tudo que se quer
Se pode ter
Se hoje eu estou aqui de pé
Não é por você
Hoje a vida me lembrou
O que eu queria esquecer
Mesmo que eu sofra e chore
Eu vou sobreviver!

sábado, 27 de setembro de 2014

Sem título

Quem sabe um dia o mundo me permita sorrir por dentro.

VCastro

sábado, 20 de setembro de 2014

Mais uma

10:10 a.m
Fui atropelada  e estou aqui, morrendo. Faz uns 5 segundos que fui atingida. Meu corpo? Perda total. Nem sei como ainda consigo pensar. Era um dia normal. Atravessei aquela rua como sempre. Mas um carro em alta velocidade me acertou em cheio e eu nada pude fazer para me salvar. Eu estava agonizando. Uma menina ali na calçada olhava pra mim com sua mochila azul nas costas. Ela tinha um olhar de piedade. Mas nada fez. Fiquei ali. No auge da minha dor ainda pude ver a menina se virar várias vezes e me olhar. Morri.

18:54 p.m
Mais tarde a menina passou por ali novamente, rumando para casa. Olhou para o local do incidente. Nem sinal da borboleta atropelada.

domingo, 14 de setembro de 2014

Viagens da Joana

-oi Joana, tudo bem?
-Tudo bem e você? ( mentindo pra nao explicar que você está depressiva)
-Tudo bem! E aí, terminou a faculdade?
(Preciso responder mesmo??) -Terminei sim, ano passado ( entendeu? ANO PASSADOO! Em que planeta você vive?)
-Ah! Que bom Joana! E os paqueras?
(Tava demorando!!!) -Ah..to solteira como sempre..e vc? (Tomara que esteja encalhada tambem haurheahuahe)
-To namorando :)
(Choque....Meu Deus ate essa coisa tem namorado e eu nao?? How is possible God? How??) -Que bom..(reticencias quer dizer "to morrendo de inveja mas to fingindo que nao me importo")
-Sim! Ele é muito legal você tem de conhecê-lo..Ja sei,vamos marcar de sair! Que tal?
( vou bloquea-la) (seja educada Joana)- Ah..vamos sim.
- Que tal sabado?
(Merda cacete inferno) -Ah não dá! Desculpa..mas assim que puder eu te aviso ta? (Vou bloquea-la com certeza)
-Ah,ok! Mas não esquece de marcar heim!
(Ops..ja esqueci, que pena haurhuaehau) -Claro que não!
-Vou esperar entao hein Joana!
(Espera sentada palhaça e se cansar deita) -Pode deixar!
-Nossa! Você viu que o Robin Willians morreu!
(Alô NASA? Estou fazendo contato com um e.t aqui, por favor venha recolhe-lo) -Sim vi ...ja faz umas semanas que ele morreu...
- Ah sim, faz tempo que não entro no facebook.
(Sei você tem um aplicativo chamado "vida social" pff já usei mas no fim só dei uma estrela porque ele vive travando e me enchendo...aposto que ela não entenderia essa piada)-Hmmm..entendi.
-Bem amiga vou indo. Se cuida viu e não esquece do nosso encontro ok?
(Desculpa, estava olhando um mosquito voar aqui perto. Voce falou algo? )-Claro!
-Tchau. Beijos.
-Tchau :) (Beijos nao que dá sapinho hahaehahahe)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Jardim

Lá dentro havia um jardim, todo sujo e mal cuidado, exceto por uma roseira. Essa estava viva e verde, porém não havia rosas nem brotos. A menina que cuidava da roseira arrancava-lhe as flores. Ela parecia ter aversão à rosas. As vezes a menina ficava tempos sem ir ao jardim e ali no meio dos ramos uma pontinha vermelha surgia. Crescia com medo, mas sem a menina por perto quem sabe poderia até crescer e, ...enganou-se! A menina retorna e lhe arranca a vida. Adeus pequeno e puro botão.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

À noite

Ela acordou de repente. O ar lhe faltava. Ficou ali sufocando. Pouco a pouco foi normalizando a respiração. Foi um pesadelo. Mas não lembrava o que tinha visto.
Olhou para o quarto escuro e para o relógio digital com uma luz fraca que marcava 3:30 da madrugada. Estava suando frio. Já era adulta mas estava com medo de ficar ali sozinha. Se encolheu um pouco e ficou parada, tentando perceber alguma mudança no silêncio. Nada. As horas foram passando e ela imóvel em cima da cama. Tinha medo de fazer qualquer movimento. Estava paralisada. Seus olhos começaram a arder de sono. Mas ela não tinha coragem de se deitar. Estava de pijama, mas estava começando a sentir os pés e as mãos à esfriar. Um carro passou silencioso pela rua e os faróis iluminaram o quarto por um segundo. Ela criou coragem e lentamente foi se deitando, se deitando até que encostou a cabeça no travesseiro. Puxou as cobertas e ficou ali quietinha. O sono foi chegando e começou a embalar seu corpo. Foi adormecendo e calmamente fechou os olhos. Já estava bem relaxada e sonolenta quando ouviu um sussurro: Durma menina...que ainda estou aqui...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A menina da caverna

Ela estava lá dentro. Era escuro. Ela vivia sempre sozinha, falando com as paredes. O mais incrível é que havia vozes na sua cabeça. Diziam coisas que ela não queria saber. Queria esquecer [...]
Não ia lá fora. Só às vezes. Bem às vezes.
Ele entrou na caverna. Ela se encolheu. Se escondeu dele. Ele se aproximou, bem perto, mais perto. Chamou pela menina. Ela pouco a pouco foi se aproximando, como um animalzinho doméstico. Chegou bem perto.Ele sorriu.Ela também sorriu.
Ele conversou com ela. Falava coisas de lá de fora. Ela começou a imaginar, como seria tudo aquilo. Ele a convenceu a sair.
Ela não quis. Não quis. Até que quis. E saiu.
Quando saiu a claridade era muita, ela não conseguia enxergar. Ele segurou sua mão e os dois se afastaram da caverna. Caminharam, caminharam e caminharam.
Ela foi abrindo os olhos lentamente. E nossa! Tudo era tão lindo! Era mágico! Fantástico!
Ele foi mostrando tudo para ela, contando sobre as maravilhas daquele lugar. Tudo era bom. Ela estava feliz. Mas não para sempre. Às vezes lembrava da caverna. Tinha medo de voltar pra lá. Sacudia a cabeça várias vezes ao dia como se os pensamentos ruins fossem sair com o balanço.
Ele era bom. Mas os dias foram se passando. Ele não falava mais das coisas com a mesma felicidade. Nem segurava mais a mão da menina. Ela começava a tropeçar. Ele não a ajudava mais. Ela começou a ficar triste.
Um dia ela quis chegar perto dele. Como sempre fazia. Ele deu-lhe um tapa na face. Tão forte que o sangue no rosto da menina começou a surgir e ela caiu sentada na terra molhada. Ela ficou vermelha como um morango. Uma água salgada pulou de seus olhos. Ela não conseguia enxergar direito.
Ele olhou para ela com pena. Disse que gostava dela. Mas não para sempre. Tentou se aproximar. Ela correu. Tão rápido que não viu nada em sua frente. Apenas correu para longe.
"Não para sempre, não para sempre, não para sempre", repetia amargamente. Correu, correu. Percebeu então que estava perdida. Não sabia que lugar era aquele. A grama era alta e amarela. As árvores queimadas. Tudo com aspecto seco. Ela caminhou. O rosto doía pela pancada inesperada. Sentiu uma dor nas pernas e nos braços. Quando olhou para seu corpo estava toda cortada. Os galhos e espinhos haviam lhe machucado.
Olhou para o céu. Sozinha. Pediu ajuda para um anjo em silêncio. A dor era muita. Alguma coisa no seu corpo estava doendo mais do que o rosto, as pernas ou os braços. Era algo ali no meio. Bem no meio do seu peito. A dor era tremenda. O ar lhe faltava às vezes. Será que morreria?
Parou. Chegou ali.
Sua antiga morada. A caverna estava lá. Escura como sempre foi. Ela virou o corpo e olhou para o caminho que havia percorrido. Olhou para o céu. Estava quase anoitecendo.
Olhou para a caverna e entrou em silêncio.
Nada mais se ouviu.